Há quem escreva para parecer bem ou ficar bonito, eu escrevo porque me dá prazer. Escrever é uma paixão, uma terapia, um impulso. Escrevo porque sou sã e louca. Escrevo porque vivo e existo.
Sinto que passei de um tudo para um nada.
As vozes que ecoavam na minha cabeça, acompanhadas por sorrisos, ora falsos, ora verdadeiros, neste momento são meramente mudas e incapazes de proferir uma única frase lógica. Já não tenho olhares telepáticos a cruzarem-se comigo, muito menos alguém lá no fundo, lá bem no fundo, a gritar pelo meu nome.
Tanto tempo que estive sem me “agarrar” a folhas e lápis, tanto tempo que estive sem ter a necessidade de ter um alguém, sem saber quem, que me ouvisse, com quem eu pudesse partilhar…
As multidões a mim já não me dizem nada. Por vezes não passam de um mero aglomerado de gente inócua, incompleta e incapaz de completar alguém.
Estou naquele preciso ponto, em que (possivelmente), pela primeira vez, me sinto uma verdadeira identidade singular e desconhecida aos olhos de quem por mim passa.
Sinto falta de um beijo meigo, de um beijo no rosto, nos lábios, no nariz. Sinto falta de um abraço apertado que me sufoque o coração de sentimentos e emoções. Sinto falta do toque de uma pele macia e quente, dos dedos de uma mão a entrelaçarem com os meus, de um olhar que me intimida e me deixa imóvel. Sinto falta das borboletas na barriga, do sopro no coração, da inexistência de palavras, do tempo intemporal. Sinto falta de algo que me mova e que me faça sentir diferente. Sinto falta de mim, sinto falta de toda a gente.
Sou como o vento,
Divago num rumo incerto
Constante de obstáculos.
Posso soprar ferozmente e derrubá-los Ou então, do meu jeito sereno e doce,
Contorná-los como se de uma silhueta
Curvilínea feminina assim se tratassem.
No meu soprar juntam-se mais 1001 sopros,
E assim, vamos esvoaçando numa
Aglutinação em perfeito equilíbrio.
Nos 1001 soprares em mim existentes,
Vindos dos 7 mares, encontra-se a
Verdadeira evolução de um ser
Que quando individual não
Possuiria tanta valentia.